Com 11 unidades em São Paulo e uma nova estrutura produtora prevista para a Zona Leste, rede americana aposta em fabricação diária, diferentes formatos de loja e sabores adaptados ao público brasileiro.
- Krispy Kreme no Brasil aposta em lojas que também funcionam como fábricas
- Novas lojas ampliam a presença nos shoppings de São Paulo
- Parceria com a AmPm abre possibilidades para distribuição
- Do Original Glazed aos sabores brasileiros
- Marketing e lançamentos ajudam a manter a marca em circulação
- O desafio de transformar a estreia em consumo recorrente
- Fontes consultadas
A expansão da Krispy Kreme no Brasil entrou em uma nova etapa. Depois de abrir duas lojas em shoppings paulistanos em setembro, a rede americana de donuts prepara sua terceira unidade produtora na capital, desta vez na região do Anália Franco. O investimento reforça uma estratégia que procura transformar a movimentação intensa registrada na estreia da marca em um negócio com presença mais frequente na rotina dos consumidores.
A operação chegou a 11 unidades em São Paulo, segundo informações divulgadas em outubro, e mantém o crescimento concentrado na cidade. A escolha permite à companhia ampliar a distribuição sem perder o controle sobre uma característica central de seu modelo comercial: a oferta diária de donuts frescos.
A chegada ao Brasil, em abril de 2025, foi marcada pelas longas filas na primeira loja, instalada na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek. Pouco mais de um ano depois, a prioridade já não está na novidade de uma marca internacional desembarcando no país, mas na construção de uma rede capaz de operar em diferentes bairros, centros comerciais e ocasiões de consumo.
Krispy Kreme no Brasil aposta em lojas que também funcionam como fábricas
O funcionamento da rede combina unidades produtoras, responsáveis pela fabricação dos donuts, com pontos de venda que recebem diariamente os produtos preparados nessas estruturas.
A primeira loja brasileira, na Avenida Juscelino Kubitschek, foi inaugurada com capacidade de produzir até 50 mil donuts por dia. Em maio de 2026, a empresa abriu sua segunda loja produtora, na Avenida dos Bandeirantes, também em São Paulo.
Agora, a próxima etapa envolve a implantação da terceira estrutura de produção, prevista para a região do Anália Franco, na Zona Leste. O novo endereço deverá ampliar a capacidade logística da companhia e facilitar o abastecimento dos pontos de venda daquela parte da cidade.
Esse formato permite que a Krispy Kreme opere lojas menores sem instalar uma cozinha industrial em cada unidade. A produção fica concentrada em endereços estratégicos, enquanto quiosques e lojas de shopping funcionam como pontos de contato com o consumidor.
O sistema exige coordenação entre fabricação, transporte e reposição. Para uma rede cuja identidade está associada ao frescor do produto, a regularidade desse abastecimento é decisiva na execução da proposta comercial.
Novas lojas ampliam a presença nos shoppings de São Paulo
Em setembro, a Krispy Kreme inaugurou operações no Shopping Vila Olímpia, na Zona Sul, e no Bourbon Shopping, em Perdizes, na Zona Oeste.
Os dois endereços ilustram a flexibilidade dos formatos adotados pela marca. No Shopping Vila Olímpia, a operação funciona como quiosque, ocupando uma estrutura compacta voltada ao fluxo de consumidores do centro comercial.
Já a unidade do Bourbon Shopping possui aproximadamente 40 metros quadrados e conta com atendimento por delivery, ampliando as possibilidades de compra para além do público que circula presencialmente pelo shopping.
Essas lojas são abastecidas pelas unidades produtoras, permitindo que a companhia aumente sua cobertura territorial utilizando a capacidade de fabricação já instalada.
A presença em shoppings também coloca os donuts da Krispy Kreme em ambientes onde o consumo pode acontecer durante uma pausa, após uma refeição, como sobremesa ou em uma compra para compartilhar. São ocasiões diferentes da visita planejada à primeira loja da marca, que inicialmente atraiu consumidores interessados em conhecer a novidade.
Essa diversidade de pontos de venda ajuda a explicar a expansão gradual da operação paulistana.
Parceria com a AmPm abre possibilidades para distribuição
A atuação brasileira da Krispy Kreme acontece por meio de uma joint venture com a AmPm, rede de conveniência ligada aos postos Ipiranga.
A associação oferece uma estrutura comercial que poderá ganhar importância conforme a marca ampliar sua presença no país. A AmPm possui mais de 1.500 pontos de venda, uma rede que representa potencial de distribuição para produtos da Krispy Kreme no futuro.
Essa possibilidade, entretanto, ainda depende da consolidação da operação brasileira. A companhia não anunciou uma distribuição permanente e generalizada de seus donuts pelas lojas AmPm.
Até o momento, a parceria também tem sido utilizada em ações temporárias, como operações itinerantes e ativações em postos de conveniência, inclusive fora da capital paulista.
Para a Krispy Kreme, a relação com a AmPm permite explorar o contato com novos consumidores sem necessariamente assumir, de imediato, a estrutura e os custos de uma expansão por lojas próprias em outras cidades.
A empresa mantém São Paulo como prioridade, utilizando o mercado paulistano para testar a operação e aperfeiçoar seu modelo de distribuição.
Do Original Glazed aos sabores brasileiros
A adaptação do cardápio é outro componente da estratégia de crescimento.
O Original Glazed, donut coberto por uma fina camada de açúcar, permanece como o produto mais conhecido da Krispy Kreme. Sua preparação também está associada a uma das experiências características das lojas produtoras: o chamado Teatro dos Donuts, que permite acompanhar etapas da fabricação.
Quando a sinalização Hot Now é acionada, ela indica a disponibilidade de donuts Original Glazed recém-preparados e ainda quentes.
A experiência de acompanhar a produção contribui para diferenciar as lojas maiores dos demais pontos de venda. A fabricação faz parte da apresentação do produto, aproximando o processo de preparo da experiência de consumo.
No cardápio brasileiro, a rede também trabalha com sabores mais familiares à confeitaria local, como doce de leite e açúcar com canela. São referências que remetem a preparações conhecidas, entre elas os churros e o bolinho de chuva.
A combinação entre produtos tradicionais da marca e adaptações locais permite preservar a identidade internacional da Krispy Kreme enquanto amplia as possibilidades de identificação com o paladar brasileiro.
Marketing e lançamentos ajudam a manter a marca em circulação
A presença da Krispy Kreme no Brasil também é sustentada por campanhas sazonais e produtos associados a personagens e propriedades do entretenimento.
Entre as iniciativas mencionadas pela companhia estão ações com Pokémon e He-Man, que envolveram lançamentos temáticos e ambientações específicas nas lojas.
Esse tipo de campanha amplia os motivos para visitar a rede em diferentes momentos do ano. O calendário de lançamentos também permite apresentar novas combinações e embalagens sem depender exclusivamente da inauguração de endereços para gerar atenção.
A estratégia procura equilibrar dois comportamentos distintos: a compra motivada pela curiosidade diante de uma edição especial e a compra habitual dos produtos que já fazem parte do cardápio.
Para uma marca que estreou cercada de expectativa, desenvolver essa segunda relação é especialmente importante. As campanhas ajudam a gerar visibilidade, mas a recorrência depende de fatores como disponibilidade, padronização, atendimento e aceitação dos produtos.
O desafio de transformar a estreia em consumo recorrente
O crescimento da Krispy Kreme no Brasil acompanha uma preocupação comum às redes internacionais que chegam ao mercado brasileiro: manter a relevância depois do entusiasmo inicial.
Em entrevista ao InfoMoney, publicada em 14 de outubro, João Luiz Marçola, CEO da Krispy Kreme Brasil, destacou que o desafio de longo prazo é fazer com que a marca passe a integrar a rotina dos consumidores.
A expansão das lojas, nesse sentido, representa apenas uma parte da estratégia. O negócio também precisa sustentar uma operação de produção diária, ampliar sua distribuição e manter uma experiência consistente entre diferentes formatos comerciais.
A escolha por consolidar São Paulo antes de avançar para outras regiões sugere uma abordagem gradual. A rede aumenta sua cobertura na capital e desenvolve uma estrutura logística que poderá servir de referência para novas etapas de crescimento.
Para o setor de foodservice, a experiência da Krispy Kreme oferece um exemplo de como produção centralizada, pontos de venda compactos e marketing de produto podem operar de maneira integrada.
Depois das filas da inauguração, a marca começa a enfrentar um teste mais duradouro: manter seus donuts presentes na rotina de quem já conhece o produto, ao mesmo tempo que amplia o alcance para novos públicos.
A abertura de lojas e o investimento em capacidade produtiva mostram que, por enquanto, essa construção está concentrada em São Paulo, onde a rede procura estabelecer as bases para uma operação brasileira mais ampla.

