Para divulgar uma linha de sobremesas em parceria com a Nestlé, o Giraffas transformou a identidade visual de dez restaurantes em Brasília. A campanha criada pela Baila mostra como a arquitetura comercial pode se tornar mídia e ampliar a experiência do consumidor com a marca.
- Como funcionou a campanha Giraffas e Passatempo?
- O que significa transformar a fachada em mídia OOH?
- A força do reconhecimento visual
- Nostalgia como ingrediente da colaboração
- Milk-shake, sundae e casquinha: o produto por trás da campanha
- O papel da Baila Creative Co
- Por que a estratégia pode estimular compartilhamentos?
- O que outras marcas de alimentos podem aprender?
- Quando a marca sai do anúncio e ocupa o espaço
Um biscoito Passatempo gigante no lugar do tradicional brasão do Giraffas. Foi assim que clientes de dez restaurantes da rede, no Distrito Federal, encontraram uma das ações mais inusitadas de marketing gastronômico do fim de 2025.
A campanha Giraffas e Passatempo, criada pela agência Baila Creative Co, transformou temporariamente fachadas de restaurantes em peças de comunicação para divulgar uma linha especial de sobremesas desenvolvida em parceria com a Nestlé.
O detalhe mais interessante estava na escolha do espaço.
Em vez de limitar a divulgação aos anúncios convencionais, a rede utilizou um dos elementos mais reconhecíveis de sua identidade visual — o brasão com as girafinhas — para apresentar a colaboração.
A iniciativa mostra como o ponto de venda pode ultrapassar sua função comercial e se transformar em um canal de comunicação capaz de despertar curiosidade antes mesmo de o consumidor entrar no restaurante.
Como funcionou a campanha Giraffas e Passatempo?
A ativação começou em 18 de dezembro de 2025 e envolveu dez unidades selecionadas do Giraffas em Brasília e outras regiões do Distrito Federal.
As fachadas receberam uma versão ampliada do biscoito Passatempo, com a representação das girafinhas incorporada à composição.
A intervenção substituiu temporariamente o brasão tradicional da rede, estabelecendo uma ligação visual imediata entre as duas marcas.
Segundo a divulgação da campanha, a instalação permaneceria nas unidades participantes até janeiro de 2026.
A iniciativa acompanhou o lançamento de três sobremesas desenvolvidas com a marca Passatempo: milk-shake, sundae e casquinha recheada.
A proposta comercial explorava a combinação entre o sabor associado ao biscoito e a textura cremosa das sobremesas geladas.
Do ponto de vista publicitário, entretanto, o principal diferencial não estava apenas nas receitas.
A campanha transformou a chegada ao restaurante em parte da experiência promocional.
O que significa transformar a fachada em mídia OOH?
A sigla OOH vem de out of home, expressão utilizada para identificar formatos de publicidade encontrados fora de casa.
Tradicionalmente, a categoria inclui outdoors, painéis, mobiliário urbano e outras superfícies publicitárias presentes em espaços de circulação.
Na ação do Giraffas, a marca explorou uma possibilidade diferente: utilizar a própria fachada dos restaurantes como suporte de comunicação.
Ao alterar um elemento conhecido da arquitetura comercial, a campanha criou uma mudança perceptível para pessoas que já estavam familiarizadas com as unidades.
A fachada deixou de funcionar somente como identificação e passou a apresentar uma mensagem sobre o lançamento.
Essa característica permitiu integrar comunicação, identidade visual e ponto de venda em uma mesma peça.
Para restaurantes, a estratégia é especialmente interessante porque o espaço físico já participa da experiência do consumidor.
A fachada anuncia o estabelecimento, comunica sua personalidade e influencia a percepção de quem passa pelo local.
Quando uma intervenção está diretamente relacionada a um lançamento, esse contato pode despertar interesse antes mesmo da decisão de compra.
A força do reconhecimento visual
O Giraffas possui elementos de identidade visual que ajudam o público a reconhecer seus restaurantes.
O brasão com as girafinhas faz parte desse conjunto.
Ao substituí-lo temporariamente por uma representação do biscoito Passatempo, a marca explorou um contraste entre familiaridade e novidade.
A intervenção funcionava porque o público podia identificar referências das duas marcas na mesma imagem.
A silhueta das mascotes preservava uma ligação com o Giraffas, enquanto o formato do biscoito remetia à Passatempo.
Essa combinação tornou a proposta visual relativamente simples de compreender.
O consumidor não precisava assistir a um vídeo inteiro ou ler uma explicação extensa para perceber que as marcas estavam trabalhando juntas.
Esse é um dos pontos fortes de uma identidade visual bem estabelecida: seus elementos podem adquirir significado suficiente para permitir adaptações temporárias sem eliminar totalmente o reconhecimento.
Entretanto, alterações desse tipo exigem cuidado.
Uma intervenção promocional precisa considerar legibilidade, sinalização comercial, segurança e compatibilidade com as características da unidade.
O impacto visual não deve comprometer a função básica da fachada.
Nostalgia como ingrediente da colaboração
O biscoito Passatempo possui uma longa presença no mercado brasileiro e integra lembranças de consumo de diferentes gerações.
Ao associá-lo a sobremesas, o Giraffas explorou essa familiaridade como parte da comunicação.
A combinação buscava despertar associações com sabores conhecidos, enquanto apresentava novas formas de consumir o produto.
Esse tipo de colaboração permite conectar uma marca estabelecida em uma categoria a produtos oferecidos em outra.
O biscoito deixa de aparecer apenas como item de supermercado e passa a fazer parte de preparações servidas em restaurantes.
Para o consumidor, a novidade pode despertar curiosidade.
Para as empresas, a parceria oferece possibilidades de alcançar públicos que reconhecem uma das marcas, mas não necessariamente consomem os produtos da outra com frequência.
Entretanto, nostalgia e reconhecimento não garantem resultados comerciais.
A aceitação depende de fatores como sabor, preço, qualidade das preparações e experiência de compra.
É por isso que o sucesso de uma colaboração precisa ser avaliado além da repercussão publicitária.
Milk-shake, sundae e casquinha: o produto por trás da campanha
A parceria apresentou três sobremesas desenvolvidas com o universo de Passatempo.
O milk-shake, o sundae e a casquinha recheada exploravam a combinação entre cremosidade e referências ao biscoito.
A escolha de formatos conhecidos ajudava a tornar os lançamentos facilmente compreensíveis.
Em vez de apresentar uma categoria totalmente nova, o Giraffas incorporou o ingrediente associado à colaboração a produtos que já fazem parte do repertório dos consumidores de sobremesas geladas.
Essa decisão também facilitava a ligação entre comunicação e cardápio.
A pessoa que observava o biscoito gigante na fachada encontrava uma referência visual ao produto divulgado dentro do restaurante.
Essa coerência entre espaço físico e oferta comercial é um dos elementos mais relevantes do case.
A campanha não utilizou a fachada apenas para chamar atenção. Ela conectou a intervenção arquitetônica às sobremesas que motivaram a ação.
O papel da Baila Creative Co
A agência Baila Creative Co foi responsável pela criação da ativação.
A proposta partiu da utilização das fachadas como mídia, aproveitando sua visibilidade e a possibilidade de transformar um elemento arquitetônico em comunicação publicitária.
Segundo os representantes da campanha, o objetivo era fazer com que o público percebesse a parceria desde o primeiro contato visual com o restaurante.
A execução mostra uma abordagem na qual a publicidade deixa de depender exclusivamente de espaços comprados em veículos externos.
O próprio estabelecimento passa a integrar a estratégia criativa.
Isso não significa que fachadas substituam outros canais de comunicação.
Uma campanha pode utilizar diferentes pontos de contato, cada um com funções específicas.
O diferencial da intervenção do Giraffas esteve em tornar o lançamento visível no ambiente onde o produto seria comercializado.
Por que a estratégia pode estimular compartilhamentos?
Intervenções incomuns em fachadas possuem potencial para despertar fotografias e publicações nas redes sociais.
Um elemento visual reconhecível, apresentado em proporções inesperadas, pode chamar a atenção de pessoas que circulam pelo local.
No caso do Giraffas, a reprodução ampliada do biscoito criou uma cena diferente da aparência habitual dos restaurantes.
Essa mudança oferecia uma oportunidade visual para quem desejasse registrar a novidade.
Entretanto, o potencial de compartilhamento não deve ser confundido com resultados comprovados.
Os materiais públicos consultados confirmam a realização da ativação e sua proposta criativa, mas não apresentam indicadores auditados de alcance orgânico, número de publicações de consumidores ou impacto sobre as vendas.
Por isso, é mais adequado analisar a campanha como um exemplo de estratégia de marca e utilização criativa do ponto de venda.
Para avaliar seu desempenho comercial, seriam necessários dados adicionais de participação, fluxo de clientes, vendas das sobremesas e custos da ação.
O que outras marcas de alimentos podem aprender?
A primeira lição está na utilização estratégica de elementos que já pertencem à identidade da marca.
O Giraffas não precisou criar um símbolo completamente novo. Adaptou um elemento reconhecido e conectou sua linguagem visual à de uma parceira.
O segundo aprendizado envolve a integração entre campanha e produto.
A intervenção nas fachadas não era uma ação isolada. Ela apresentava visualmente uma linha de sobremesas disponível no cardápio.
Outro aspecto importante é a utilização do espaço físico como parte do planejamento de marketing.
Restaurantes, cafeterias e lojas possuem ambientes que podem comunicar identidade, lançamentos e experiências.
A oportunidade está em desenvolver intervenções coerentes com o posicionamento da empresa e com as condições reais de operação.
Por fim, o case demonstra a importância de distinguir criatividade de desempenho.
Uma ação original pode conquistar atenção e reconhecimento, mas seu retorno precisa ser medido com indicadores específicos.
Quando a marca sai do anúncio e ocupa o espaço
A parceria entre Giraffas e Passatempo mostra que a comunicação de um lançamento pode começar antes do consumidor chegar ao balcão.
Ao transformar o brasão das fachadas em um biscoito gigante, as empresas criaram uma representação visual da colaboração e incorporaram a arquitetura dos restaurantes à narrativa publicitária.
A ação reuniu familiaridade, surpresa e uma conexão direta com o produto apresentado.
O case também demonstra como o marketing gastronômico pode explorar experiências além do alimento, utilizando ambientes, símbolos e ocasiões de consumo.
Para marcas do setor, o aprendizado não está simplesmente em transformar fachadas ou aumentar elementos gráficos.
Está em encontrar maneiras de fazer com que a identidade visual, o espaço comercial e o produto contem uma mesma história.
No Giraffas, um biscoito gigante mostrou que a publicidade não precisa começar em uma tela. Às vezes, ela começa na porta do restaurante.
Nota editorial: esta matéria revisita a campanha lançada em dezembro de 2025. A intervenção nas fachadas foi anunciada como temporária, com previsão de encerramento em janeiro de 2026.

